D. Dinis Business School

CRÓNICAS DE GESTÃO | A FALÁCIA DO MACROECONOMISTA

CRÓNICAS DE GESTÃO | A FALÁCIA DO MACROECONOMISTA

Vítor Ferreira

Diretor Executivo da D. Dinis, Business School

 

A economia deverá crescer 1,5% em 2016, o mesmo que no ano passado.” Este era o título manifestamente errado da previsão do Banco de Portugal em 2016 para o ano de 2017 (previsão que refutei nestas crónicas, em devido tempo, porque a mesma ignorava fatores económicos básicos, como o crescimento do turismo). Várias instituições (FMI, BCE ou o Banco de Portugal) tomam decisões com base em modelos teóricos complexos, mas ignoram a economia mais básica, o que gera consequências gravíssimas (como a destruição económica da Grécia ou o agravamento da crise em Portugal).  Na verdade, a economia portuguesa deverá ter crescido 2,6% este ano. Esta é uma diferença de 1% numa taxa de crescimento que representa cerca de 1800 milhões de euros e uma margem de erro de cerca de 40% (a diferença entre 1,5 e 2,6). Esta não é uma margem de erro aceitável para algo que se quer apresentar como uma Ciência. Imagine o leitor que confiava em previsões físicas sobre a temperatura/resistência de materiais relativas ao funcionamento da caldeira da sua casa com uma margem de erro de 40% - tal confiança representaria a diferença entre uma casa quente ou uma grande explosão! A verdade é que as ciências mais exatas trabalham com margens de erro baixíssimas, procuram a exatidão e reprodutibilidade – as mesmas causas geram os mesmos efeitos. O problema da Economia é que raramente as suas teorias são postas à prova (em experiências) e, quando aplicadas no mundo real, algumas teorias económicas não produzem os resultados esperados. Neste sentido, a Macroeconomia está condenada a ser uma ciência de tendências (o que já não acontece na microeconomia). Sendo assim, sabemos que o crescimento vai abrandar no próximo ano, mas a margem de erro é brutal para uma ciência que se diz exata (ficará algures entre os 2% e 2,4%). Mas quem sabe se o crescimento não poderá acelerar (já que a retoma europeia será mais robusta e poucos países no mundo estão em recessão – o que ajudará as exportações) ou se não travará com o rebentar de uma bolha financeira nos EUA. Com alguma precaução, deveremos antecipar um ano de 2018 com crescimento e com possibilidades de diversificação, mas também com tensões políticas na Europa, EUA ou Médio Oriente. Sendo assim, caro leitor, antecipe um crescimento, caso seja gestor planeie o ano para várias situações, diversifique mercados e não confie demasiado em previsões económicas. Bom ano de 2018!

 

Crónica publicada no Jornal de Leiria em Janeiro de 2018.

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