D. Dinis Business School

CRÓNICAS DE GESTÃO |  PEQUENAS MENTIRAS

CRÓNICAS DE GESTÃO | PEQUENAS MENTIRAS

Vítor Ferreira

Diretor Executivo da D. Dinis, Business School

As piores mentiras são aquelas que contamos a nós próprios. Esta frase poder-se-ia aplicar ao nosso país e sua “psique”. Tão depressa acreditamos que somos o pior povo do mundo, comos estamos convictos que vivemos o “Quinto Império”. Culpamos os políticos pelos nossos problemas e acreditamos que esta classe não reflete a nossa própria insuficiência. As tragédias e acontecimentos recentes que puseram a nu a questão do SIRESP ou o roubo de armas em Tancos, refletem uma falta de organização e gestão profissional no nosso país (e, talvez, negócios feitos pelas razões erradas).  Por vezes, preferimos fechar os olhos e “acreditar” que tudo vai correr bem, em vez de planear para toda e qualquer possível falha. Outra “mentira” recente é acreditar que o problema económico de Portugal se resolverá com a vontade indomável dos portugueses e das suas empresas. Por melhores que sejam os recentes resultados económicos de Portugal, a zona Euro tem um problema de construção, já que existe uma política monetária, mas não existe uma verdadeira política económica e fiscal comum. Esse fenómeno reflete-se tanto no absurdo superavit comercial da Alemanha como na estagnação ou baixo crescimento dos países do sul. Sem uma maior integração económica (transferências, pool de dívidas, ministérios das finanças e economia europeus, etc.) isto nunca será possível. Outra “mentira” recente é acreditar que a onda de automação e “algoritmização” não terá impacto no emprego e nos modelos de negócio das empresas. A maioria dos gestores e políticos parece acreditar que a “Indústria 4.0” é apenas um milagre de produtividade. A verdade é que alguns modelos de negócio de indústrias da nossa região serão consideravelmente “disrupcionados”, sendo esta a questão fundamental para os gestores anteciparem (e não apenas a tecnologia – máquinas, sensores e algoritmos).  Quanto ao emprego, a recente decisão da empresa MacDonalds de substituir, em todo o mundo, pessoas por caixas automáticas teve um efeito poderoso na sua cotação (que subiu para novos máximos em Bolsa), mas com um reverso impacto depressivo no emprego menos qualificado.  São muitas as pequenas mentiras em que acreditamos, mas é importante ter visão e ver para além dessa espuma dos dias, melhorando o presente e preparando o futuro, sem cair em otimismos infundados ou pessimismos extremos. 

Crónica publicada no Jornal de Leiria a 20 de julho de 2017.

Subscreva a nossa newsletter e fique a par das últimas novidades